Se fazer um vinho, um grande vinho, exige paixão e sabedoria, conseguir aprisionar os seus múltiplos sabores e odores numa garrafa, exige conhecimento e, sobretudo, um selo de qualidade inquestionável, uma rolha da mais pura cortiça.
Vinho e cortiça. Dois produtos em tudo diferentes, mas que em tudo se completam.
Há muito que partilham uma história comum, tradições seculares e infinitos momentos de prazer. Assim o provam inúmeros vestígios do passado, desde ânforas romanas vedadas com rolhas de cortiça, a uma das mais antigas garrafas jamais encontradas, resgatada a um galeão naufragado e repleta de um Vinho do Porto com 350 anos de idade que – pasme-se! - ainda estava bebível. Ou todos os grandes vinhos de fama e prestígio mundial que continuam a não prescindirem deste vedante genuinamente natural, símbolo de qualidade e longevidade. Nomes míticos que despertam emoções e inspiram respeito - os Portos Vintage Quinta do Noval, Fonseca, Taylor´s ou os célebres Grand Cru de Bordéus - , e que ainda hoje fazem história.
Porque são estas rolhas naturais, produzidas apenas a partir da cortiça retirada aos sobreiros que atingem meio século de existência, as únicas a quem os mais afamados produtores de vinho confiam o precioso fruto do seu trabalho, sobretudo aquele destinado a ser guardado, envelhecido e apreciado em tempos posteriores, num ritual imutável e imprescindível: escolher aquele vinho especial pacientemente reservado para a ocasião certa, apreciar a pujança da sua rolha ao abrir a garrafa, decantá-lo, deixá-lo respirar e, por fim, servi-lo, sentindo o seu bouquet e saboreando só ou acompanhado, uma experiência de puro prazer.
Nomear os inúmeros vinhos de qualidade excepcional que por este mundo fora utilizam rolhas de cortiça natural é uma tarefa claramente impossível. Pertencem a diferentes categorias e provêm dos mais diversos países. Optámos, contudo, por dar a conhecer quatro grandes vinhos tintos portugueses que se destacaram na famosa lista Top 100 Best Wines of 2005 da conceituada revista norte-americana Wine Spectator (de referir que na lista relativa ao ano de 2004, apenas um vinho português mereceu esta honra, o também tinto duriense Quinta de Vale Meão 2000):

